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“O meu dente desvitalizado está sempre a partir…!”

Com frequência os pacientes mostram-se receosos e pouco motivados em progredir com um tratamento endodôntico (vulgo “desvitalização”), referindo que os dentes com este tratamento ficam frágeis e acabarão por fracturar. Apesar de predispor a um enfraquecimento do dente (apenas 5% segundo alguns estudos), o tratamento endodôntico não é, per si, responsável máximo e único para se considerar o principal factor de uma  futura fractura dentária.

São variadas as causas para se realizar um tratamento endodôntico, no entanto, grande parte dos casos deve-se a extensas cáries com envolvimento pulpar (“nervo”) que induzem grande destruição da estrutura dentária, muitas vezes quase por completo da coroa dentária. Ora, esta extensa perda de estrutura dentária (responsável muitas vezes por mais de 70% do enfraquecimento do dente segundo alguma literatura) se não for devidamente reposta, no que diz respeito às técnicas e materiais, pode comprometer a durabilidade dos tratamentos realizados. Está, então, na restauração do dente com tratamento endodôntico, uma das chaves para o sucesso a longo prazo.

Neste patamar, a simples reposição do tecido dentário perdido pode não ser suficiente para garantir a estabilidade do tratamento. Ao simplesmente colocarmos material restaurador na região perdida, esta pode produzir um efeito de “cunha” que com os movimentos da mastigação levem à fractura do dente. Assim, será importante realizar uma restauração que envolva toda a parte mastigatória do dente (Recobrimento cuspídeo), funcionando assim a restauração como um “capacete” que amortiza as forças mastigatórias e as distribui de melhor forma por todo o dente.

A execução deste trabalho pode ser de forma direta ou indireta, com recurso a compósito ou cerâmica. Na técnica direta, a restauração é feita imediatamente em boca, num só tempo clinico, já na técnica indireta é feita uma impressão ao remanescente de dente, sendo a restauração realizada fora de boca, e posteriormente aderida ao dente. Estes trabalhos indirectos podem envolver porções parciais (inlays, onlays ou overlays) ou totais (coroa) da estrutura coronal do dente, de acordo com o seu grau de destruição. As cerâmicas levam a melhor face aos compósitos no que diz respeito à estabilidade de cor e resistência a longo prazo, devendo ser consideradas o material restaurador de eleição.

Lembre-se, apesar dos avanços serem promissores, ainda não é possível encontrar substituto ao nível dos nossos dentes e sua composição, e um dente com tratamento endodôntico ,não é necessariamente um dente fracassado, desde que devidamente respeitados os princípios de tratamento do mesmo (Endodôntico e restaurador)

Dr. Diogo Ribeiro

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